Renato Barros
Nasci dentro de uma empresa familiar e nunca trabalhei em ambiente estável. Cinco vezes ocupei o cargo que existe para a empresa funcionar quando o dono não está na sala. É esse repertório que entra na sala com você.

O método veio do meu pai. O prazer por gente veio de minha mãe.
Sou do Méier, no Rio de Janeiro. Meu pai, engenheiro civil, veio do interior e construiu uma empresa que sustentou quatro irmãos. Minha mãe trouxe o carisma e a capacidade de lidar com gente.
Cresci vendo de perto o que uma empresa de dono sustenta e o que ela cobra de quem a conduz. Não é assunto teórico para mim.
Saí de casa aos 15 para vestir a farda da Marinha no Colégio Naval. Aos 18 larguei a Marinha por uma decepção e voltei a morar com meus pais. Foi o meu primeiro turnaround.
Terminei engenharia sabendo que não seria engenheiro e fundei uma ONG antes de me formar. Depois passei quase nove anos na Ambev aprendendo a máquina por dentro, de trainee global a sócio e diretor, em oito cidades.
Aprendi a língua do método sem virar escravo dela.
Nenhum desses movimentos foi para a estabilidade. Todos foram para algo em construção ou em crise. O padrão é sempre o mesmo: transformação, não manutenção.
Sou, tecnicamente, a última pessoa que deveria estar falando de processo.
Não trabalho com governança porque gosto de processo. Trabalho porque processo me mata e porque conheço por dentro o preço de uma empresa que só anda quando o dono empurra.
O que eu levo para a sala é outra coisa: leio o ambiente, enxergo o ângulo que não foi dito, e construo confiança por evidência acumulada em vez de discurso.

Meu pai não deixou a empresa para os filhos. Deixou o nome, o exemplo e tudo o que sabia. O que ele não conseguiu deixar foi uma empresa que funcionasse sem ele — e ninguém teve culpa disso.
O que da minha empresa não depende de mim?
Hoje eu tenho dois filhos. Eles não precisam herdar uma empresa. Mas se herdarem, quero que ela ande sem mim. É a mesma pergunta que eu deixo com quem senta comigo.
Os números vêm do Hogan que fiz com a Ilana Berenholc. Estão aqui porque explicam o que eu levo para dentro de uma empresa e o que eu busco parceiros para levar.
Leio o ambiente com precisão.
Enxergo ângulos que outros não veem.
Construo confiança por evidência acumulada.
Conexão genuína com pessoas.
Decido rápido e assumo o risco.
Prefiro feito e ajustável a perfeito e parado.
Faz sentido trabalharmos juntos?
A gente trabalha com poucos, por escolha. A conversa existe justamente para descobrir se este é um desses casos.
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